Associações de Desenvolvimento Local promovem candidatura. Gastronomia e Produtos da Terra ligados à alimentação de Trás-os-Montes e Alto Douro procura classificação como Património Cultural Imaterial da Humanidade, da UNESCO. Carlos Medeiros chefia a Comissão Técnica, Adriano Moreira preside à Comissão de Honra e Duarte Moreno lidera a Comissão Executiva da candidatura, que foi apresentada esta sexta-feira.
A aposta faz-se na diversidade associada à gastronomia transmontana. “Uma simbiose entre a simplicidade e a complexidade associada à mesa deste território que também é único” explica Duarte Moreno, responsável pela Desteque, Associação de Desenvolvimento da Terra Quente. Para o também autarca de Macedo de Cavaleiros, “não há no país tantos produtos de Denominações de Origem Protegida (DOP) e de Indicação Geográfica Protegida (IGP) como em Trás-os-Montes e Alto Douro”.
Lembrando a resolução do concelho de ministros, que envolveu os Ministérios da Economia, Agricultura e Cultura, em 2000, e oficializou a Gastronomia como parte integrante do património cultural português, Duarte Moreno, em conversa com os jornalistas, diz que a gastronomia transmontana é “base para grandes emoções. Na nossa vida, dos momentos que mais guardamos são à volta da mesa, em serões com a família e amigos, com os nossos produtos. Nós mantemos tradições como a ‘Merenda’. Podia até mostrar-vos a minha faca das merendas, que sempre trago no bolso, tal como muitos outros transmontanos, que conservam esta parte da nossa cultura.”
O Grão-Mestre da Confraria dos Enófilos e Gastrónomos de Trás-os-Montes e Alto Douro, António Monteiro, que também se faz “acompanhar” da navalha, destaca a região como “um ninho genético de muitos produtos, tanto na área vegetal como animal”.
O gastrónomo mostra-se extremamente convicto numa classificação: “Conhecem outra região que tenha esta intensidade de valores genéticos como Trás-os-Montes e Alto Douro? Eu conheço outras zonas do mundo onde estes patrimónios já foram constituídos, e não têm a riqueza que nós temos.” Para António Monteiro a grande distinção está na “diversidade da região, bem refletida na gastronomia, que a torna única. Vai da simplicidade à complexidade, das casulas ao butelo, por exemplo.”
O Professor Adriano Moreira, a contas com uma pneumonia, não pôde estar presente.
A candidatura é promovida pela Desteque, Corane e Douro Superior, associações de desenvolvimento local, em parceria com todos os atores do território, tais como as autarquias, instituições de ensino superior, associações de produtores agroalimentares, confrarias e agentes da oferta turística regional.
