Reunida na véspera, a Comissão de Saúde da Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros tornou pública, esta sexta-feira, a sua posição contra a retirado do apoio do Serviço de Medicina Interna à Urgência. A uma só voz, população e seus representantes, demonstraram a sua indignação e demonstraram-se prontos para assumir novas formas de luta que levem a Administração da ULS NE a inverter a tendência de esvaziamento de valências que se verifica na Unidade Hospitalar de Macedo de Cavaleiros.
Reunida na véspera, a Comissão de Saúde da Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros tornou pública, esta sexta-feira, a sua posição contra a retirado do apoio do Serviço de Medicina Interna à Urgência. A uma só voz, população e seus representantes, demonstraram a sua indignação e demonstraram-se prontos para assumir novas formas de luta que levem a Administração da ULS NE a inverter a tendência de esvaziamento de valências que se verifica na Unidade Hospitalar de Macedo de Cavaleiros.
Comunicado da Comissão de Saúde da Assembleia Municipal:
Posição da Comissão de Saúde da Assembleia Municipal de Macedo de Cavaleiros sobre a cessação do apoio da medicina interna ao serviço de urgência da Unidade Hospitalar de Macedo de Cavaleiros
No dia 1 de julho de 2014, o Serviço de Urgência Básica da Unidade Hospitalar de Macedo de Cavaleiros ficou privado do apoio do serviço de Medicina Interna desta Unidade Hospitalar, algo absolutamente inédito em quase 26 anos de existência, no seguimento de uma diretiva interna da Administração da ULSNE.
Esta decisão gerou uma enorme indignação, quer dos autarcas do concelho quer da população em geral, que não compreendem esta decisão, e que surge na sequência de outras decisões que vem afetando negativamente o nível e a qualidade dos cuidados de saúde diferenciados prestados nesta Unidade Hospitalar, de que é exemplo o encerramento do laboratório de análises clínicas aos fins de semana.
O número de especialistas de medicina interna da ULSNE manteve-se estável ao longo do corrente ano, com a saída de um médico que foi rapidamente substituído.
De acordo com o Estudo para a Carta Hospitalar da ERS, nos “Pressupostos específicos” para a especialidade de Medicina Interna, «Nos Serviços de Urgência (SU) a primeira linha do atendimento deve ser assegurada por internistas experientes, por forma a garantir-se melhor qualidade nas decisões, menores gastos em MCD e evitarem-se referenciações desnecessárias (…)», conforme o estipulado na alínea g). Acrescenta o referido estudo que «a medicina interna deve existir em todas as tipologias de hospitais: hospitais de proximidade/nível 1, hospitais de primeira linha/distritais e hospitais de referência/centrais». Tanto quanto nos é possível conhecer, os SUB integrados em unidades hospitalares beneficiam do apoio de algumas especialidades aí existentes, em especial da medicina interna. Neste contexto, quererão os responsáveis da ULSNE criar uma situação de exceção?
A grande maioria dos utentes idosos que acorrem à SUB de Macedo de Cavaleiros necessitam do apoio da medicina interna. Segundo dados de 2013, ocorreram 784 internamentos ordenados pela medicina interna, havendo a registar ainda 1099 doentes observados mas não internados. Estes números poderiam atingir maior dimensão, se os doentes encaminhados pela SUB de Mogadouro para medicina interna, e que antes eram atendidos na SUB de Macedo de Cavaleiros, não fossem agora deslocados para Bragança, acrescendo a viagem em cerca de 40km.
Proibindo os médicos de medicina interna de serviço de observar casos de urgência, e transferindo assim para Bragança ou Mirandela os doentes que necessitam de tal observação, não se está a contrariar um princípio basilar da prestação de cuidados de saúde de proximidade? É ou não verdade que a ULS Nordeste recebeu recentemente uma verba de convergência para as regiões desfavorecidas, na ordem dos 5 milhões de euros, para promoção de cuidados de proximidade, tomando agora os seus responsáveis uma decisão em sentido inverso?
Mesmo do ponto de vista do bom uso dos dinheiros públicos, como se pode compreender que se aumentem custos com transporte desnecessário de doentes para a medicina interna de Bragança ou Mirandela, salvo em casos em que necessitem dos cuidados de outras especialidades?
Enquanto representantes eleitos da população de Macedo de Cavaleiros, os membros da Comissão de Saúde da Assembleia Municipal, representativos de todas as forças partidárias, repudiaram unanimemente a supracitada decisão dos responsáveis da ULS Nordeste e aguardam que a mesma seja rapidamente revertida.
Macedo de Cavaleiros, 03 de julho de 2014.
