O repto lançado por Duarte Moreno surge pelos “múltiplos exemplos que têm conduzido ao esvaziamento do Hospital de Macedo de Cavaleiros, depois da criação do Centro Hospitalar do Nordeste, em 2006”. O autarca, que discursou na cerimónia de assinatura do protocolo para a assistência a doentes oncológicos entre a ULS Nordeste e o Centro Hospitalar de Trás-os-Montes, afirmou estar ”saturado desta luta desigual” depois de mais de um ano em que, segundo diz, se tem comportado como “um autêntico Bombeiro, acorrendo a diversos focos, sejam eles no hospital ou com o Helicóptero do INEM”. Um estado de saturação que estende também à “população cansada desta nuvem negra que teima em permanecer, e a todos os profissionais de saúde que permanecem cheios de incertezas quanto ao seu futuro.”
É, por isso, para o Presidente da Câmara Municipal, “hora de o Governo de Portugal ser franco e dizer aos Macedenses o que pretende para o futuro da Unidade Hospitalar mais central do Nordeste Transmontano”. Lembrando o ano anterior em que “ocorreram duas tentativas de encerramento da urgência”, a deslocalização do serviço de faturação assim como o encerramento da Unidade de Convalescença “dois milhões de Euros investidos e 5 anos depois”, Duarte Moreno acrescentou que “é toda uma cidade em suspenso, com medo de perder um Hospital, com receio de perder mais de duas centenas de pessoas trabalhadoras e que de Macedo de Cavaleiros teriam de sair numa situação extrema”.
Presente na cerimónia, o Secretário de Estado Adjunto do Ministro da Saúde, Fernando Leal da Costa, rejeitou a ideia de que a intenção passa pelo encerramento do Hospital: “a minha presença aqui, deve ser entendida como a prova provada de que não há nenhuma intenção de encerrar este hospital. Não vim aqui, de maneira nenhuma, proceder às exéquias do Hospital, vim aqui, bem antes pelo contrário, assinalar um momento muito importante para as unidades de saúde desta região.”
O governante afirmou que “as preocupações do sr. Presidente são legítimas, ele tem feito um trabalho notável, tem-nos ajudado também a nós, às unidades de saúde e ao centro hospitalar, mas eu já tive a ocasião de dizer que, sobre esta matéria, o sr. Presidente e os Macedenses escusam de estar preocupados. Não há encerramentos previstos, bem antes pelo contrário, nós entendemos que a especialização de serviços proporciona melhores condições para que o próprio Hospital tenha um lugar mais marcado, mais importante e até mais irrevogável, dentro daquilo que é a estrutura da ULS”.
Helicóptero do INEM
Instado pelos jornalistas a comentar a decisão do Tribunal Administrativo e Fiscal que assegura a manutenção do helicóptero do INEM em Macedo de Cavaleiros, o Secretário de Estado Adjunto da Saúde disse que “essa não é uma decisão judicial, é uma decisão técnica e ela está tomada: o Helicóptero do INEM vai manter-se em Macedo de Cavaleiros. Chegámos à conclusão, depois de fazermos os estudos que eram necessários fazer, que a rede de helicópteros de emergência, a precisar de ajustamentos, seguramente não passará pela retirada de Macedo de Cavaleiros.”
